segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
semvirgula
Na solidão de uma tarde tediosa um fio de pensamento rasteja por minha cama quente até a minha orelha e atravessa o meu canal auditivo até chegar ao meu cérebro. Se conecta com o emaranhado e costura uma ideia bonita e falsa um pedaço de horizonte que só faria sentido se hoje não fosse hoje e os dias fossem escuros. O dia é de sol a tarde é só um arde com t e o t é o que me falta. Uma baforada curta do ventilador assossega minha euforia e tira meus cabelos suados da tesa. Eu não sei suar. Perdi essa habilidade os toques não me arrepiam os olhos não me enfeitiçam as palavras não soam melódicas. A companhia deixou de ser necessária mas em compensação o abraço é muito mais sincero. Saio pra noite e caço corações perdidos me desafio a conquistar e desbravar os muros que as pessoas constroem pra se proteger. Avanço nas táticas de segurança e me lambuzo com a coragem inocente de quem parece ter encontrado um pote de ouro. A manhã surge e esclarece os cheques que não depositei. Uma semana de férias.
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