quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Aqui, nessa casa, sobre este chão que eu fiz, sob esta cama que eu montei, sobre o meu suor e minhas lagrimas (as minhas duas formas de chorar), eu me encontro de cabeça pra baixo e canto uma música baixinho. 
É uma despedida que sai de mim como se fosse um fio puxado de minhas entranhas, uma endoscopia reversa que quer mostrar o que tem fora a partir do que tem dentro.
Meus cabelos crescem, minhas raízes se fincam, meu coração se afasta.
Crescer, ser e parecer se emaranharam em um sorriso que eu não dou mais e a solidão me abraçou de maneira generosa, tentando me provar que é boa. Eu tento fingir que acredito, mas os cigarros são falsos amigos, o tempo é um parceiro dissimulado, o amor é uma mentira bonita e eu sou um resto de mim, que ficou no resto da casa do que restava de verdade em meu coração.
A minha infância se foi por medo de me fazer sofrer, os cigarros se vão por medo da extensão do tempo, o meu tempo se arrasta por medo de me fazer viver, os meus amores se foram por medo de serem reais.


E eu

canto a minha musica 

((baixinho))



Por medo de você ouvir. 

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