terça-feira, 15 de setembro de 2015


Sim, sim, há que existir um motivo. Um algo mais, um pedaço de certeza e de validez, um caminho ou uma resposta. Há que levantar-se da cama e dobrar os lençóis, lutar contra a incerteza e seguir empurrando o que quer que seja. Há que se usar toda a energia, gastar todos os músculos, arrastar bem os pés. Mais além, há que existir alguma razão para todos os cortes na pele, para os grunhidos e os dentes gastados, para o ir e porvir - há que existir um caminho. Ainda que corte o mato com o facão, gastando os braços e machucando o rosto com os ramos, há que existir um caminho. Ainda que seja de pedra e fure os pés e tope os dedões, há de ser um caminho. Ainda que mudo, surdo e vazio, há de ser um caminho. Repito isso como um mantra. Bato na minha cabeça até que entre, martelando um pouco de coragem e gana antes de provar o café. Até que finalmente me convenço. E tomo. Tomo na cara. 

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