Sensibilidade toca no peito, samba toca no pé. Mas quando a rima desenrola no ouvido, o samba pega a sensibilidade e leva pra dançar.
As vezes não, as vezes carrega ela no colo e vai ninando, como sussurrando pra que durma. As vezes surra-lhe as costas, e o ímpeto bêbado surge correndo, fazendo a vida ser um pouco mais d(c)olorida.
O samba tem vários modos de tocar na gente. A mim me tem como discípula: o que quer eu faço. As vezes choro baixinho, as vezes caio no abraço.
Rimo quando posso e danço quando sei, nem que seja uma batidinha de mão errando uma percussão invisível - precisa existir. Precisa. O samba se faz necessário. Enfeitiça e encanta a um ponto em que nenhum Domingo na Bahia possa passar sem que se toque.
O samba me criou, baiana, parceiro do meu santo. E lhe rezo, lhe obedeço e lhe venero no dia sagrado, porque não há descanso sem esse pedaço de mim.
"O samba é pai do prazer
O samba é filho da dor
O grande poder transformador"
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