Nunca penso muito nas consequencias dos meus atos. Eu chamaria isso de defeito se não fosse tão inerente a mim. Eu tramo e me embrenho, mas na maior parte do tempo como todos os meus planos de sobremesa. E no meu diálogo idiossincrático, eu me aconselho: menina, olha por onde você anda.
Mas dentro de mim surge um riso malandro e fujo do meu repreendimento. Lá vou eu de novo. Sacana.
Sou levada pelo meu falso encanto, guiada pelo meu ego que ronrona com prazer cada vez que é amaciado. E sinto que suas palavras me descobrem, me levam a despir cada vez mais os meus escudos e as minhas cascas, até que estou nua e de barriga pra cima: completamente entregue ao meu momento de mimo. Como um gato, vou fechando os meus olhos e respirando fundo, absorvendo a profundidade que só um momento de prazer superficial pode trazer. Talvez você não saiba, mas esse é o momento oportuno pra me capturar. Talvez eu não saiba mas tenha te capturado... eu só acho que no fundo cê ta de barriga pra cima também. E a gente ta muito ocupado se sentindo bem com isso pra fazer alguma coisa. Talvez eu me dê conta disso daqui a pouco, e tenha que sair correndo pra me esconder na vergonha das roupas e me podar mais uma vez, rangendo os dentes. Mas queria que você soubesse que dá tempo pra não dizer que não. Dá tempo de me convencer que isso não tá errado.
Eu sou um cerebro constantemente pensante e um coração hiperativo, mas nada do que eu to dizendo é algo maior do que um simples "quero que você me conheça", ou "quero te levar pra um lugar que acho que você vai gostar". Só que ao mesmo tempo é. Porque eu me arrepiei e me arrepio, e quero sussurrar as respostas no teu ouvido. Porque quero que cê cante pra mim, porque eu te vi. E é isso: eu não tô só(r)rindo a toa. Eu te vi. No meio dessa multidão colorida, com mil ideias e soluços, eu te vi. E eu te vi porque sei que em algum momento, cê tava olhando pra mim. Não tava?
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