E não é assim com a gente também? Temos esse mar escuro e denso aqui dentro, cheio de plataformas com coisas por concertar… E de vez em quando, com a consciência dos riscos e muita cautela (ou não), deixamos alguém descer lá pra fazer o trabalho. E às vezes dá certo e a gente sente que tá funcionando melhor, sabe? Fica satisfeito com o resultado... Depois de um tempo as pessoas terminam o trabalho e vão pra casa, voltam pras suas vidas felizes com o pagamento.
Mas algumas vezes alguém morre lá dentro… e aí não tem muito o que se dizer, só aceitar que o risco faz parte do pacote. Sofrer, sim, mas um sofrimento resignado, uma desistência convicta, um adeus sincero. Não era a melhor pessoa pra fazer o trabalho, acabou a pilha da lanterna, o oxigênio era muito pouco, o tempo foi curto ou aconteceu algum incidente parcialmente inesperado… no fim das contas, isso é o que menos importa.
As vezes é a gente que topa esse trabalho, as vezes é só o que a gente quer fazer. O pagamento é bom e a vontade é muita. As vezes a gente também morre lá embaixo… e dói. Nossos pulmões se enchem de água, nosso corpo se agiganta e nossa mente pára de funcionar por um tempo. Mas faz parte do processo, e é isso que em algum momento nos faz deixar o corpo lá e continuar procurando.
Amar (também) é ir no fundo mais fundo do mar e deixar que afundem dentro de si mesmo. É ir consciente do risco, porque o pagamento vale a pena ou porque se precisa dele pra viver…
Mas principalmente porque ainda existem coisas por se concertar. E enquanto existem, a gente continua.
(Muito importante: como em todo trampo, de vez em quando é necessário TIRAR FÉRIAS!)
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