terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Para onde vao os dias em que eu nao escrevo? Para onde vao os sentimentos que eu nao faço sangrar no papel? Para onde vai a embriaguez? Para onde vao todas aquelas palavras urgentes que pareciam tao necessárias de serem ditas? Os argumentos, o cuspe, o tom de voz alto, a estranha sensaçao de lucidez no momento mais deturpado da mente? Tenho tanto pra dizer e ainda assim pareço imersa na embriaguez de um periodo de ferias intensamente fugaz. Construi diversos castelos de cartas com a concentraçao que só uma mente bebada poderia ter, só pra destrui-los com um peteleco torpe e uma risada imbecil. Eu ouvi Justin Bieber vezes demais e chorei vezes de menos. Em verdade, os rios que costumavam banhar meu rosto melequento e vermelho parecem ter secado. O meu rompante de lagrimas foi o ultimo a ser assassinado pela minha apatia, que só considera válido o que é carne. Sou uma esponja de momentos instantaneos e derramo eles por toda a cidade. Me vi falhar e ri da minha cara, subi no monte mais alto da montanha mais alta e gritei pros sete ventos que eu fui feita pra mim, mordi meu coraçao doído e suguei todo o veneno, até que me encolhi nessa concha dura e desconfortável. E nao minto: me escondi porque acabou o pasto. Pois que se aparece o mínimo traço de verde eu nao vou comprar pao nem comida: vou comprar um licor barato e distribuir o perdao do louco, o rosnar da euforia, o correr de um bicho rescem nascido com as pernas bambas, o coraçao moído e a curiosidade de se viver a vida. Um tropeço após o outro, eu me conduzo ao fim de uma gestaçao do pior que há em mim. As contraçoes vem, o parto assusta, o livro fecha. Em tres dias, quem quiser ver verá nascer  o que já veio a essa terra e sugou todo o meu sangue, o que encheu meu coraçao do líquido preto letal, o único que poderia nascer da visao turva e do andar descontrolado, o pai de todas as dores e filho de toda agonia, o próprio antisophia em sua representaçao mais tangível....: o amor.

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