quarta-feira, 3 de junho de 2015
Faço brotar música do chão dessa cidade, sangro pelos dedos e pela vida, canto embrigada de som e luz, faço amor com gente de carne e de gesso, as vezes de bronze. Danço no colo da estátua de Jorge Amado, me declaro pra Zélia e brinco com o cachorro. Quebro copos e rasgo pele e carne. Falo rápido e me movimento muito, grito e avanço no vagabundo, gozo e como. Sou uma mulher. No ser mulher me descobri como a melhor das coisas, e não no aspecto que vejo sendo exibido por aí. Meu empoderamento não vem do meu corpo nem da aceitação ou não da minha celulite. Vem de dentro, como um terremoto que começa aos poucos e toma uma expansão enorme, fazendo tremer tudo e deixando todo e qualquer homem apavorado. Eu não seduzo, não é esse o meu poder. Meu encanto não é o corpo nem o feminino, meu encanto é o furacão-terremoto que só uma mulher pode ter. Porque a Terra é mulher, a natureza é mulher, o poder é mulher. A buceta é mulher. Mas a mulher não é uma arma, não é morte nem destruição. É revolução, é broto forte, é erva. É mar, amar. É a tempestade e a estiagem. A mulher pare, mas não pára e não é para ninguém. De dentro de mim vai nascer amor, todo o poder está dentro de mim. Eu sou mulher. Ainda bem.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
10/10
Postar um comentário